terça-feira, 17 de abril de 2012

Floresce planta de 30 mil anos de idade

Num ninho congelado de roedores que viviam nas margens do rio Kolyma, na região siberiana de Magadan, cientistas russos descobriram sementes de plantas de 30.000 anos de idade. Enterradas sob uma camada de solo permanentemente congelado a uma profundidade de 40m, as sementes foram mantidas em perfeito estado, conforme relata o grupo de biólogos do Instituto de Problemas Físicos e Biológicos em Ciência do Solo, em Puchkino, na região de Moscou.

No experimento, descrito na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), os pesquisadores cortaram fragmentos das sementes de Silene stenophylla, uma planta herbácea do Pleistoceno, e colocaram-nas num caldo de cultura. Logo a planta nasceu, floresceu e as primeiras sementes. Assim, a experiência mostrou que o “permafrost”, cobrindo um quinto do planeta, pode ser um depositário natural de formas antigas de vida. “Achamos que é necessário continuar o estudo do solo congelado em busca de rastros genéticos da vida pré-histórica, que há muito desapareceu da face da terra”, escrevem os autores.

Silene stenophylla
Esta planta é típica do clima da região da Yakutia e tem resistência extremamente elevada ao frio. David Galichinsky e seus colegas descobriram que as plantas antigas e modernas diferem apenas na inflorescência. As pétalas da moderna silene são mais largas. Além disso, ela combina os pistilos e estames, enquanto a planta antiga tem gomos “femeninos” e “masculinos”. Svetlana Yashina, que também faz parte da equipe, disse que, à primeira vista, as plantas não apresentam diferenças. “Esta é uma planta muito resistente e é altamente adaptável”, concluiu.

Para encontrar a semente certa para a recuperação, os cientistas examinaram várias dezenas de ninhos de esquilos e outros roedores da Idade do Gelo. Todos eles viviam na margem direita abaixo do rio Kolyma. Os ninhos foram encontrados em sedimentos que se datam de até 32 mil anos. A água não conseguiu penetrar nos ninhos, que ficaram bem conservados no gelo, constituindo uma espécie de “freezer natural”. “Esquilos cavaram esses buracos no solo congelado para fazer um ninho de tamanho de uma bola de futebol”, disse Stanislav Gubin, um dos autores do estudo. “Primeiro eles colocaram palha e depois pele de animais, de modo que criaram um perfeito refúgio”. No total foram encontradas mais de 500 mil sementes e fragmentos.

Referência: Lyuba Lulko/Pravda.Ru